terça-feira, setembro 29, 2015

Calar

É pesado ainda
ser a mulher da sua vida.
O aperto da partida,
pimenta demais na comida.
Uma ilusão corroída,
vestígio de gozo que grita.
Amor e ódio,
corrida louca, fugitiva.
Nua na cama,
teu sexo não mais levita.
As línguas surdas
se calam perante a recaída.
Nossa estória,
foi dose desmedida
do início à despedida.
Guarda teu ego,
a raiva desorientada, não revida.
Afaga sozinha
a falta, as dúvidas, a carne rompida.
É amargo ainda
sentir esse ácido melancólico
na minha bebida.

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