sábado, dezembro 26, 2015

Raíz

Itabira de Drummond
O Recife de Bandeira
Rio de Clarice
A Mantiqueira de Henriqueta

Eu, para não esquecer
de onde vim
resgato tais raízes
e reconheço a mim.

domingo, dezembro 06, 2015

Cume

O mundo visto de cima é mais bonito.
Arranha-céus, árvores, essa cama que vibra:
todos cúmplices desse voo mal dito.
Nunca no muro, como suspeito imperfeito do delito.
Para ver, enveredar-se
só em cima
de outro corpo
de outros olhos
dessa noite que se arrasta
distante
mas não diz adeus.

segunda-feira, novembro 02, 2015

Lar

Essa imensão
de areia fina azul
escorrendo entre os dedos
seu mar quente de lava
poderiam ser meu lar
Lara.

Não fosse a estrada
batida tão dura
essas ondas arrebatando
tão fundo
e a calma me puxando pro centro
de mim

Por que me perco com fatalidades?
Deixa viver a vida
seu verso sem nexo
contraditório
Até a maré romper esquinas
e invadir as calçadas.


domingo, outubro 18, 2015

Prosa fiada

Você não sai da métrica
da rima
de cima
desse muro
previsível

Tua retórica comedida
tantas vezes repetida
não cabe num poema
nas mãos que acenam
ao olho e sonho nús

Seus versos mecânicos
sutilmente formais
prendem-se à vida que tu crias
e mastiga
até doer mais

terça-feira, outubro 13, 2015

Deriva

termino a sexta saideira -
sem eira
no meio-fio
caem baratas
cachaças derramadas
frases mal pensadas
água que passa

mais um copo
entregar-me-ei
à ebriedade
caduca, ilusória
solitária

talvez
eu queira
estar
à beira
do mar
azul
dos seus olhos.


terça-feira, setembro 29, 2015

Calar

É pesado ainda
ser a mulher da sua vida.
O aperto da partida,
pimenta demais na comida.
Uma ilusão corroída,
vestígio de gozo que grita.
Amor e ódio,
corrida louca, fugitiva.
Nua na cama,
teu sexo não mais levita.
As línguas surdas
se calam perante a recaída.
Nossa estória,
foi dose desmedida
do início à despedida.
Guarda teu ego,
a raiva desorientada, não revida.
Afaga sozinha
a falta, as dúvidas, a carne rompida.
É amargo ainda
sentir esse ácido melancólico
na minha bebida.

segunda-feira, setembro 28, 2015

Sobre o olhar que não demora

A dor
do amor
é penhasco
navalha na carne
bala de aço:
atira o olhar para longe!

sexta-feira, setembro 25, 2015

Meto
fundo
mergulho
me (a)fundo
no seu
Mundo.


quinta-feira, janeiro 15, 2015

Selva de Pedra

Para saber
sobre o sentido da vida
é preciso agir, sentir, caminhar
Não basta escrever, soletrar

É preciso olhar
o farmacêutico na cadeira,
balançando
Reencontrar um antigo amante,
ter um coração pulsante

As palavras não emanam
quando estão desligadas desse
vento, chão e raiz
Elas brotam desses músculos febris

É preciso agir!
Penetrar
nesta selva
sob as pedras.
Sobre a retaguarda feminina:
Fone de ouvidos para
ouvir e não escutar.

About female rear:
earphone to
hear and not hear.