segunda-feira, julho 28, 2014

Rabisco no abismo

amada amante
faz desse sonho
curva sinuosa
em velocidade constante

provoca essa fuga delirante
pelos seus caminhos:
cintura, gosto, pelos
e diz para ir adiante

grita-me teu gozo fulgurante
extrapola minhas regras
enterra no jazido
meus medos alarmantes

faz de mim eterna imigrante
penetrando no desconhecido
sussurrando dentro do ouvido
essa aventura tolerante

entre meus dentes dilacerantes
grudei sua carne que excita
e me hesita a desejar exitar
ser mais que uma aspirante.

sexta-feira, julho 25, 2014

Ebriedade dos Alquimistas

Oh Saudável vida boêmia
Tempo em que o corpo era leve
Pois só a Alma, carregada de Sentidos, fazia-se presente
Quando cada esquina era lar
Cada curva era vertigem
e cada derrapada um novo fôlego

Oh Pútrida vida sóbria
Cheia de rigidez, aspereza e angústia
Prendendo-nos às correntes, classes e falsa moral
Onde cada rosto era cinza
No Vai-vem de devaneios urbanos
E o cheiro de prazer em lugares imundos

Oh Desejável Morte Ébria
Que acalenta o corpo enfermo, e liberta a alma criativa
Que floresce o que há de mais vivo e humano
Onde se bebe com Satã, num eterno open-bar
Onde confabulam as melhores intenções
E se faz acreditar que é apenas um delírio.

Ornellas e Leonardo Samsa
29/01/2009

Talvez o amanhã

Eu queria ser
não mais que um groove pra você,
daqueles da parada de sucesso
que a gente repete cem vezes
sem ao menos perceber.

Ou então um filme
no vhs ou dvd, um tanto clichê,
que a gente guarda na estante
tira a poeira num domingo qualquer
e sente uma vontade (gritante) de rever.

Não obstante queria ser talvez tudo
confusão no quarto
um tiro no escuro
sujeito oculto do seu verbo
nó na garganta afogado no seu mundo.

Sabe quem no futuro
possa ser só sonho leve,
igual quando a gente rala o joelho
numa brincadeira tão breve,
carregando a cicatriz até a velhice
e que quando lembra
dá vontade de viver.

08 de julho.

segunda-feira, julho 14, 2014

Antítese

A ratazana que surge
do bueiro urbano
é a síntese
do desespero humano.

Bóra

não vá embora
embora
eu pense que
devas ir

(Adriano Del Duca)