domingo, junho 29, 2014

Partir

Começo esse título
com um verbo para escancarar
o movimento de se despir
das velhas vestimentas
e do próprio corpo

Arrancar as raízes
da terra, do asfalto
em um breve e longo
lamento para enfrentar
as perdas perfeitas
e o porvir desse compasso

Caminhar nas curvas
pela estrada dos sem-rumo
se apropriar de cores, novos sabores
quentes, beijos e
pimentas ardentes.

sexta-feira, junho 20, 2014

Dos nossos

para os dias difíceis, de luta
um trago, um grito, uma palavra
para desorganizar
a ordem.


quinta-feira, junho 19, 2014

Imperativo

Agarra-me se puderes
Decifra-me se quiseres
Usa-me se souberes

Beija-me com seu gosto
com seu gozo.
Envolva-me com sua carne
com seu charme
Queira-me apressada e
profundamente

Escute
silente
o que às vezes
digo:

Mergulha-me no fundo
Afoga-me na cama
Respira-me na rua, crua

Responda-me aquela pergunta
se quiseres
se puderes
se souberes
sonhar.

domingo, junho 15, 2014

A(flor)a

Vamos ficar aqui a toa
Nessa preguiça boa
Jogando conversa fora
Beijando aquele beijo
Que demora
Que aflora
A vontade de ficar dentro

E fora
Olhando seu olhar
Que não me olha
Que não demora
Mas nos joga

Nesse céu infinito
Arrastando os dias
Bebendo espuma
Fazendo eu me lembrar
Que a noite tem várias vidas
E eu, apenas uma.

Camará

A gente era tão jovem
E o amor mais ainda...

Foi com hora marcada,
Pé na estrada

Ousava e perdia
Amava e esquecia

Derrotas políticas,
Fracassos da vida

A gente vai acostumando...

A não lutar pelo que se acredita
A não amar porque se machuca
A preencher o vazio com superfícies febris

A vida é tão depressa
E pede muito de nós

Uma dose nos dias difíceis
E coragem pra ficarmos a sós

Ter o coração jovem
E a clareza da maturidade

Deixar-se incendiar o peito
 Nas esquinas perigosas da nossa cidade

Acostumar a se enfrentar
Não deixar a vida passar
Nos amar e mudar as coisas.

13/08/2013

Longe

Contas, prazos
Cartão de ponto
Você sumindo
Eu me escondendo
O amor esmorecendo

Me da um pouco mais
Do teu perfume
Das suas dívidas
Aflitas.

Só um pouco de tudo
Daquilo que enterramos vivo
Do seu coração
Afoito.

23/08/2013

Queixa

Parecia raiz
Mas é folha seca
E o outono já passou.

Levou consigo
A carne trêmula
A paciência
Nossos jogos
Insistentes
De amor.

04/09/2013

Do lado de cá

Falo de coisas típicas.
Na linha vermelha às seis
a vida é muito simples,
na exaustão fica apertada

O entregador de pão na quebrada
O apito da próxima estação
A brisa que me leva a você,
pelo sim e pelo não.

Pode não ter amor em SP
Mas tem suor e calor
Vô italianinho na Benedito
Paixão, mano,
no fio da navalha
com esse cerol

Um coração
que de cima da laje
sente o fel
e esse sol.

23/08/2013

Borboleta

     Bor
 bo
    le
tas
     Vão
             e
     Vem

Pra gente
ir
mais
        além.

06/02/2014

Quatro

onze de março
pra lembrar
só fumando cigarros
outrora quinta
hoje terça
teço um lamento
de tédio
de desesperança
de ausência
nesse primeiro andar.
trago a ilusão
que não vive mais dentro de mim
trago essa emoção
para que eu possa queimá-la
enfim.

11/03/2014