quinta-feira, junho 24, 2010

Ventinho










foi que nem brisa de mar
de leve, de areia
foi quem nem passarinho
no embalo do seu ninho
com pressa a se aconchegar

foi que nem adolescente
sem toque de clarinete
mas com a pele quente
deixou-se o lembrete

foi verdura na infância
pura confusão
se perder na dança
pobre coração

foi gol de futebol
sorvete no verão
brinquedo no natal
beijo na mão.


24/06/10

sexta-feira, junho 11, 2010

Informe

Deixa... Já disseram pra gente deixar, pra lá, pra cá.

Abandona as malas, as saudades, cheiros.

Fecha esses olhos embalsamados. Guarda essa boca calada.

Você reclama de solidão e eu do estômago vazio.

Mas a gente se entende, desentende, na cama, na rua.

E... vai, some. Vem, consome.

Mas deixa... Joga tudo no mundo, todos no muro, pedra em tudo.

Levanta, sai da cama, do sono. Cura essa tosse que machuca o outono.

Ah, preciso ir, ficar, dormir, encontrar.


27/05/10 – 01h05

quinta-feira, junho 10, 2010

Monossilábica

A noite sempre chega
Dilacera, corre, desmente.
Entre um copo e outro,
Deixo-me jogar a mim mesma num pleno...
Vai-e-vem de estrada,
Posto abandonado na parada.

Chegam voz e ouvido.
Chegam cheiro e zumbido.
Chego eu, você, inesperado.

Assim corremos,
Na rua, no dia, no tempo.
Minha mão na sua, corrimão,
Tocando, contramão.

Amanhece suave,
Enfim, paramos.
Ela cansada, quer dormir,
Suspirar mais um ai.
E, sutilmente, vai, vai, vai.
Onde foi que nos deparamos?