segunda-feira, janeiro 04, 2010

Fitinha verde

Sim, mais um ano por vir.
Imagino um corredor imenso, como se fosse uma rua vazia, bem cedinho. Andamos por ela com sono, com preguiça nos braços, como a criança sem querer ir pra escola. Só assim...
Agora que coloquei o ponto final na resenha passada, resta pensar em quais portas irei me arriscar a abrir. Logo exito, a moleza passa às pernas. Como abrir as fechaduras com as chaves escondidas nos poros da vida? Mas, é preciso caminhar...
O chão que piso não é seguro, é dialético, porém, amo e arrisco. O barro batido e escravo fica belo quando o cheirinho de molhado nos sorri ao aflorar o beijo entre chuva e poeira. Vejo pés unidos levantando neblina com suas marchas e apelos. Nessa terra hei de seguir, sem medo, sem prezar pelo valor que a vida diz ter.
Do lado esquerdo ainda carrego um coração, pisado como esse mundo de meu Deus, como esse barro de muitos. Cravadas estão as flechas, as facas, os remendos, os batons. Pulsando cadenciado, soluçando um bocado, de saudade, ansiedade. Recuperou-se dos saques, das gasturas, avançou na idade.
À frente, inflamo o peito e olho. A estrada é longa, a remada também. Roubo a calma da brisa que bate às seis da tarde e a coloco na dose de coragem. Engulo de uma vez.
Dentro e fora de mim há uma fadiga cheia de rubor, a esperança fica grudada aqui, acolá, em todos os balanços de rede e de barquinho. É, fica mesmo, em todas as perspectivas, de pôr-do-sol e de véu de luar.
Sei que iremos cantar amanhã, meu sorriso será mostrado cheio de sonhos bons, ele tem de ser mostrado.

03h20

1 comentários:

Narayan disse...

Lindo. Interessante que é a segunda vez que leio, e agora, parece-me que é tão claro as palavras por trás das palavras. Como se já tivesse dito-me tudo isso, alguma vez, e finalmente voltasse a memória. Acho que já ouvi. Não nessas linhas, com outras letras e até mesmo sem escrita alguma. Principalmente, sem escrita alguma...

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