quarta-feira, outubro 13, 2010

Num papel de pão

eu trato
de mim e dele
e penso quem sou
pra fazer valer
nosso amor barganhento
que não pede muita coisa
e não dorme no ponto

amor de calor
se refresca na saudade
e quando chega, invade
o sofá de casa e ventilador

chega mais
porque quem jaz
agora é a tristeza,
que andava por aqui
mas, fez o favor de partir

esse é o tipo de querer
que é de não contrariar
noite e alvorecer
manha e viver

nosso tempo é curto
o beijo é certo
e sem pedir eu faço
com você...
um trato.

quarta-feira, julho 07, 2010

a sensação do chêro, do aconchego é igual tomar coca com bastante gás ou tragar um cigarro bem forte: dá um nó na garganta...

quinta-feira, junho 24, 2010

Ventinho










foi que nem brisa de mar
de leve, de areia
foi quem nem passarinho
no embalo do seu ninho
com pressa a se aconchegar

foi que nem adolescente
sem toque de clarinete
mas com a pele quente
deixou-se o lembrete

foi verdura na infância
pura confusão
se perder na dança
pobre coração

foi gol de futebol
sorvete no verão
brinquedo no natal
beijo na mão.


24/06/10

sexta-feira, junho 11, 2010

Informe

Deixa... Já disseram pra gente deixar, pra lá, pra cá.

Abandona as malas, as saudades, cheiros.

Fecha esses olhos embalsamados. Guarda essa boca calada.

Você reclama de solidão e eu do estômago vazio.

Mas a gente se entende, desentende, na cama, na rua.

E... vai, some. Vem, consome.

Mas deixa... Joga tudo no mundo, todos no muro, pedra em tudo.

Levanta, sai da cama, do sono. Cura essa tosse que machuca o outono.

Ah, preciso ir, ficar, dormir, encontrar.


27/05/10 – 01h05

quinta-feira, junho 10, 2010

Monossilábica

A noite sempre chega
Dilacera, corre, desmente.
Entre um copo e outro,
Deixo-me jogar a mim mesma num pleno...
Vai-e-vem de estrada,
Posto abandonado na parada.

Chegam voz e ouvido.
Chegam cheiro e zumbido.
Chego eu, você, inesperado.

Assim corremos,
Na rua, no dia, no tempo.
Minha mão na sua, corrimão,
Tocando, contramão.

Amanhece suave,
Enfim, paramos.
Ela cansada, quer dormir,
Suspirar mais um ai.
E, sutilmente, vai, vai, vai.
Onde foi que nos deparamos?

sexta-feira, janeiro 22, 2010


segunda-feira, janeiro 04, 2010

Fitinha verde

Sim, mais um ano por vir.
Imagino um corredor imenso, como se fosse uma rua vazia, bem cedinho. Andamos por ela com sono, com preguiça nos braços, como a criança sem querer ir pra escola. Só assim...
Agora que coloquei o ponto final na resenha passada, resta pensar em quais portas irei me arriscar a abrir. Logo exito, a moleza passa às pernas. Como abrir as fechaduras com as chaves escondidas nos poros da vida? Mas, é preciso caminhar...
O chão que piso não é seguro, é dialético, porém, amo e arrisco. O barro batido e escravo fica belo quando o cheirinho de molhado nos sorri ao aflorar o beijo entre chuva e poeira. Vejo pés unidos levantando neblina com suas marchas e apelos. Nessa terra hei de seguir, sem medo, sem prezar pelo valor que a vida diz ter.
Do lado esquerdo ainda carrego um coração, pisado como esse mundo de meu Deus, como esse barro de muitos. Cravadas estão as flechas, as facas, os remendos, os batons. Pulsando cadenciado, soluçando um bocado, de saudade, ansiedade. Recuperou-se dos saques, das gasturas, avançou na idade.
À frente, inflamo o peito e olho. A estrada é longa, a remada também. Roubo a calma da brisa que bate às seis da tarde e a coloco na dose de coragem. Engulo de uma vez.
Dentro e fora de mim há uma fadiga cheia de rubor, a esperança fica grudada aqui, acolá, em todos os balanços de rede e de barquinho. É, fica mesmo, em todas as perspectivas, de pôr-do-sol e de véu de luar.
Sei que iremos cantar amanhã, meu sorriso será mostrado cheio de sonhos bons, ele tem de ser mostrado.

03h20