segunda-feira, maio 04, 2009

Batalha Piegas

Ainda com gosto de café,
um pouco adoçado, na boca.
olho ao redor, vejo braços
e mais que isso, bocas e olhos.

A vida passa em cada despertar,
meus amores platônicos, o futebol,
meus gritos afônicos, o coração.

Meu presente se esvai
em cada segundo, tento poetizar
o por quê luto, padeço, entrego.
Estou no mesmo lugar,
o passado meneia-se dentro de meu ego
congela a água e os sais.

Veja que sou forte,
estou em invernos.
Ouvi dizer que mais tarde,
no âmago, cairá neve
ou granizos.

Os ventos marítimos não acalmam
deixam sua poeira nos copos,
em minhas mãos que repousam,
na brasa esfriando, no amor se acabando,
no peito socialista, na juventude egoísta.

Tenho minha vida em quais mãos?

Sinto a água gelada do rio nos pés,
meus abraços estão livres.
Aceno aos meus amigos, eles correm
e sorriem, crianças apanhando a pontapés.
Abraçam-me e beijam e me enamoram.

Pego o cobertor no armário.
Deito, sinto o cheiro ínfimo.
Vejo tudo ao contrário e,
quando penso ao redor,
sinto-os aqui em mim,
no íntimo.

03/05/09 – 22h

1 comentários:

Leandro Fonseca disse...

os amigos (os verdadeiros) podem estar longe, mas estão tão presente em nós quando nossa alma. Por isso que são amigos. Senão, seriam colegas. Amei a poesia! Saudades.

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