domingo, maio 10, 2009

Mate-me, por favor.*

Não farei mais a poesia de amor, sou todo o torpor
Buzinas soam nesse ar quente que envolve minha pele
As putas já estão nos hotéis, os pintores lavam seus pincéis
Luzes acesas em São Paulo. Tudo em seu lugar.
Os carros vão passando mais depressa
A lágrima que molha minha boca acompanha o descompasso
Chorei. Confesso que chorei. E...
Fugi, bebi e fumei e vomitei.
Deixei a melancolia embaraçar meu corpo
Ah esse coração roto
Ela me cedeu muitos lenços macios
Limpei a sujeira que era minha e, eu nem a conhecia.
Agradeci sem voz, só podia oferecer meus vazios.
Preciso lhe falar...
Meus olhos estão cerrados, de completo cansaço
Minhas mãos relutam a escrever, mas a dor não quer saber
A nau que me carrega está afundando
E é tão trágico e tão lindo.
Dessa vez não flutuarei
Termine de esculpir o jazido em mim
Menina enterre-me de vez
Trucide-me como você nunca fez
Pois morrer aos poucos não é tão poético assim...
Deixa a chuva cair e molhar-me
Essa sensação de liberdade
Liberta-me da chama azul, que só faz anular-me
Pela primeira vez, estou partindo
Buscarei o verdadeiro
O mundo é daqueles que mandam no amor

Mate-me! Por favor.

07/05/09 - 20h30



* Referência à camiseta usada por Richard Hell (década de 70)

segunda-feira, maio 04, 2009

Batalha Piegas

Ainda com gosto de café,
um pouco adoçado, na boca.
olho ao redor, vejo braços
e mais que isso, bocas e olhos.

A vida passa em cada despertar,
meus amores platônicos, o futebol,
meus gritos afônicos, o coração.

Meu presente se esvai
em cada segundo, tento poetizar
o por quê luto, padeço, entrego.
Estou no mesmo lugar,
o passado meneia-se dentro de meu ego
congela a água e os sais.

Veja que sou forte,
estou em invernos.
Ouvi dizer que mais tarde,
no âmago, cairá neve
ou granizos.

Os ventos marítimos não acalmam
deixam sua poeira nos copos,
em minhas mãos que repousam,
na brasa esfriando, no amor se acabando,
no peito socialista, na juventude egoísta.

Tenho minha vida em quais mãos?

Sinto a água gelada do rio nos pés,
meus abraços estão livres.
Aceno aos meus amigos, eles correm
e sorriem, crianças apanhando a pontapés.
Abraçam-me e beijam e me enamoram.

Pego o cobertor no armário.
Deito, sinto o cheiro ínfimo.
Vejo tudo ao contrário e,
quando penso ao redor,
sinto-os aqui em mim,
no íntimo.

03/05/09 – 22h