sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Memórias de um lobo

Após a noite de caça, os lobos dormem.
Mas eu não conseguir repousar no manto estendido
Na sala...
Aconteceram muitas ocasiões para que eu pudesse chegar
Aonde chegava.
E a maioria deles previamente pensadas
Exceto a última caça.
Exatamente por ter pensado,
Que tomou seus caminhos com as próprias pernas.
Lobos são assim mesmo... Gostam de serem pegos
Numa empreitada.
Não obstante, e agora?
Por obséquio, o que faço com essas garras ensangüentadas?
Com essa pelugem desarrumada?
Com esse gosto que ainda vive em minha boca?
Meu corpo pede vida e descanso
Implora por um acalanto
Geme por um orgasmo
Como, um lobo feito eu, pode unir
A criança e o adolescente?
Ela me cai solenemente sobre as mãos...
Lobos podem se extasiar pela noite
Mas, eles dormem sozinhos
Acabam-se, com toda sua fartura.
E eu quero tanto você, para ver o dia amanhecer...


21h52 – 19/02/09
Mãos fartas, coração vazio.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Grito

Sabe, pensar na vida e fazer as devidas reflexões sobre ela é um ato bem útil e glorificante. Mas, quando digo vida, não é apenas a sua que está em jogo. Há milhares de outras mentes que influenciam a sua e isso é um círculo vicioso e recíproco.

É reconhecendo essas influências, que compreendemos o sentido pra tudo que vivemos no presente, que viveremos no futuro e até que ponto pode-se controlar os raios de distância que devemos ficar e deixar os outros ficarem.

O ponto crucial dessa jornada se encontra em saber ler o subentendido, o que lhe é mostrado, não necessariamente através da fala, pois as grandes verdades não precisam ser ditas para serem reconhecidas.

E, falando nessa linguagem "subliminar", podemos afirmar que as pessoas mais sensíveis e menos pragmáticas levam uma vantagem sobre as outras. Levam vantagem não só pela sutileza dos movimentos, mas também pela intuição.

Fazendo essas reflexões sobre o cotidiano, que me dei conta de quantas pessoas, inconscientemente ou não, desejam influenciar os rumos da minha vida. Isso não é de todo ruim. O ruim é usar de armas ilícitas para fraquejar o próximo, é assumir que não é capaz de lutar com seu próprio punho, escudo e espada, é colocar à prova um jogo leal e sincero... Coisa de perdedor mesmo sabe?

Se eu acreditasse em Deus, diria que ele é justo e, no fim, faz com que as máscaras, se houverem, caiam.
No entanto, seria interessante colocarmos a nós mesmos que, se nos incomodamos com algum ponto de nossas relações em geral, sejam com coisas, objetos ou pessoas, nós mesmos podemos nos armar e ir à batalha desmascarar o nosso inimigo, diga-se de passagem que o tornou porque quis, permeando outra lição importante: não devemos procurar inimigos, eles sempre se põem no ringue.

Tendo assim, a certeza de que as máscaras sempre caem antes do gongo final tocar e de que não basta sermos leais pra nós mesmos ou com entes queridos, é preciso lutar para se adquirir essa lealdade incondicional, porém, condicional para com os inimigos. É preciso não só desmascará-lo, como também exibi-la ao público presente, não só exibir sua máscara, como também seu verdadeiro rosto e, não só exibir seu rosto, como também mostrar que a inveja mata sim.
Ao adquirir o lugar mais alto de nós mesmos, saberás quando esse dia chegar e até onde você pode ir, amenizarás seus complexos pessoais, conhecerás o que tens de ruim e bom, saberás onde é o lugar mais nobre em ti e do que ele é capaz.

10/02/09 – 16h46

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Vida

Escrevo com muitos sentimentos em mãos e um cigarro na direita.Um pouco de apatia eu diria.Não sei, é difícil descrever sentimentos, sobretudo aqueles nossos.No de repente das noites anteriores, algumas coisas começam a adquirir forma e é exatamente isso que me traz um sentimento de certeza versus o de vazio.Ter a certeza de me ocupar com projetos, não planejados, não é necessariamente me preencher por dentro.Sei que todos precisamos de pausas. Para refletir, pensar. Pausas para durante ou posteriormente esse processo, lutar pelo que se sonha.Sigo em silêncio. Não profiro o que desejo. Não dou chances para o universo conspirar contra os meus anseios.Fico em pó, em cinzas, no mudo, a espera do dia.Sei que ele vai chegar e o aguardo com agonia, presteza e mais do que nunca, esperança.A vida é feita de inúmeras esperas. E eu partilho disso com meu ser e com todos os outros...Em silêncio.

Em 20/02/08 às 17h51, mas caiu como uma luva pro agora.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Jogo Ferino

Não faço jogo de cartas marcadas, prefiro correr o risco de, às vezes, ganhar ou perder.

Elas já estão colocadas sobre a mesa. Todas em seus devidos montes e mãos. Meu coração acelera, minha pele freme, minhas mãos gemem esperando o fluxo de tal liberdade desconhecida. Era uma sensação perigosa, mas ao mesmo tempo em que consumiu pavor, transbordou em leveza.

O ódio se levantava e corroia todas minhas vísceras que cuspiam por paz. Mas ele não me abandonou. Meu velho companheiro de guerra, ele não me puxou do precipício, mas ele se atirou ao meu lado. Mão com mão. Pêlo com pêlo. Ego com ego, mesmo que ferido.
Meus olhos vermelhos se tornavam e, eu não fazia questão de esconder a carnificina exposta a olho nu. Queria que todos vissem meu corpo sedento em agonias. Meus olhos maléficos e caridosos, ao mesmo tempo, gozando com o cheiro e relações de prazer que emanava no ar. Com toda a força de minha sobriedade aproveitei - e mantive - o que de mais supérfluo se punha na mesa. Dei a primeira cartada.

Questionei Afrodite sobre seus truques e, não se livrando do estigma de todas as deusas de mesma origem, ela não me respondeu. Olhei-a nos olhos, mas dessa vez, eles me diziam inconscientemente algo improvável, que eu não conseguiria enxergar em outros tempos, algo que soava como desafio... A mim.

Calculei os segundos necessários para selar em seus lábios o sim que ela tanto esperava ouvir. E o selei de modo molhado, de modo que nossa liberdade ultrapassava as galáxias. Repousei-me na cadeira de balanço e fiquei a ouvir os ruídos que o ambiente transmitia. Os ruídos que me puseram a uma loucura que não sei bem quantificar. Eles, os ruídos, se embrenhavam pela minha mente e não consegui soltá-los. Prendi-os em meus membros superiores tão castos de solidão ímpar. Mas não pude me esquecer que solidão a dois, a três, e assim por diante, é que se torna auto-suficiente. E, embora eu queira ser, me apeguei ao vício de transparecer demais.

Afrodite e Apolo conversavam no Olimpo e eu os olhava com tanta intensidade que, por um momento, esqueci daquelas superficialidades colocadas na mesa. Eu já não estava só, eles jogavam comigo. Éramos quatro, originados do mesmo Pai. O ódio ao meu lado, Afrodite e Apolo. Olhávamos-nos enfurecidos, feito briga de cães raivosos e, nos apreciávamos de modo em que aquele sangue frio saia das veias e levava consigo a moral e as posses.

Nua de energia prestei a rabiscar os rostos que se deliciavam naquela loucura imunda. Apolo é o Deus da luz radiante, que enfrenta grandes batalhas contras os grandes, que se concebe também como reflexo maléfico e vingativo, a ponto de transformar grandes Reis em servos, em cidadão padrão. Ele dá a morte e a vida. Afrodite dispensa grandes descrições. Ela é amada, guerreira e bela.

Eu sorria com facilidade e sarcasmo de duas fantasias rasgadas tão diferentes se unirem e, por si só, comporem melodia tão escura e envolvente, comporem o figurino da peça, distribuírem as cartas na mesa. E, nessa hora, eu respirei o máximo que meus pulmões suportam. Tentei sugar toda a paz que o mundo “real” me sugeriu, mas não consegui. Continuei com ódio e atormentada. Esse tormento, na verdade, não se passa daquela outra vida que renasceu após a pílula, sem volta, da visão sublimada. E essa outra vida só quer, em suas mãos, o Poder.
30/01/09